Médicos solidários sugerem que profissionais de saúde que não estão na linha de frente ajudem nos locais onde moram Prateleiras vazias: serviço de voluntariado é uma necessidade para atravessar a crise https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=88061673 Ainda não estamos em abril, quando o crescimento do novo coronavírus vai se abater fortemente sobre o Brasil, mas as demonstrações de solidariedade se multiplicam.

Como no Rio de Janeiro, onde mais de 15 mil voluntários se inscreveram para combater o vírus, entre estudantes e profissionais da saúde.

No entanto, o tempo urge e precisamos ampliar ao máximo os esforços para que os mais frágeis não fiquem fora dessa rede de proteção, que inclui de doação de sangue a material de limpeza e alimentos.

Nas redes sociais, médicos solidários vêm compartilhando entre seus pares sugestões de engajamento e acho a ideia tão importante que a reproduzo aqui.

Que tal propor ao síndico dar início a essa mobilização? Segue o texto que está circulando: “Quem for médico, mas não trabalha em emergência nem na linha de frente e está em isolamento social, pode ajudar o sistema de saúde de alguma forma.

Veja como: 1) Se oferecendo para, no condomínio ou na região que mora, avaliar situações de doenças como infecções urinárias, gastroenterites, hipertensão, evitando que essas pessoas precisem ir a prontos-socorros em casos que consigamos resolver e dar as devidas receitas de antibióticos se necessário; 2) realizar receitas de remédios de uso contínuo que só são vendidos com receita, respeitando os critérios de prescrição que julgar pertinentes; 3) orientação via Whatsapp ou interfone sobre sintomas que devem levar o paciente às urgências, como sinais de insuficiência respiratória ou o que se deve fazer em casos de sintomas mais simples; 4) orientação de medidas preventivas e de cuidados gerais com o paciente e sua família. Juntos, todos nós podemos ajudar, sempre existe alguma coisa a se fazer! Precisamos desafogar as UPAs, PSFs (postos de saúde da família), prontos-socorros para nossos colegas terem condições de lidar com essa pandemia grave que nos assola e assim diminuir a quantidade do contágio e disseminação desse vírus.

Muita gente precisa de coisas simples que nós, em isolamento, conseguimos fazer sem nos expor a maiores riscos.

Compartilhem essa ideia nos grupos de médicos!”. Uma ação bacana vem de São Paulo, onde, na segunda-feira, foi criado o “Sessenta e escuta”, iniciativa na qual voluntários conversam por WhatsApp com idosos que estejam se sentindo solitários.

É preciso mandar uma mensagem via WhatsApp para o telefone (11) 94080-3640 para se inscrever no projeto Escutadores, que reúne coletivos de escuta pública.

A psicóloga Patricia Maria Martins, coordenadora da “Sidewalk talk” (“Conversa na calçada”), diz que já há 20 voluntários disponíveis: “as pessoas precisam dar vazão à angústia que acompanha questões como o risco real da morte, que se tornou tão presente no momento”. Em outra frente, quem se dispõe a fazer compras para os que estão em quarentena merecem parabéns.

Mas e quando o prédio é pequeno e/ou não há qualquer tipo de mobilização? Foi o que aconteceu com Marta Pessoa, professora aposentada da Universidade Federal da Paraíba e autora de “É tempo de cuidar – eles envelheceram: e agora?”, sobre sua experiência em aliar tecnologia a cuidados com idosos – ou seja, uma militante da causa.

Marta e o marido anteciparam sua volta de uma viagem a Israel e se impuseram quarentena, mas todos os supermercados que consultou só tinham data de entrega para abril! “A ironia é que trabalho com tecnologia e descobri que não tenho uma rede apoio, porque meus colegas são virtuais ou moram em outras cidades.

E, a despeito do meu grau de autonomia física e mental, sou idosa e do grupo de risco.

Para mim, foi o alerta sobre a necessidade de a sociedade se organizar”, afirmou. A experiência da Marta com a tecnologia a fez encontrar a plataforma “Vizinho do bem”, criada semana passada para conectar gente disposta a ajudar: já tem mais de 2 mil voluntários cadastrados que se dispõem a fazer compras, ir à farmácia, passear com o cachorro.

Ela participou da criação de um serviço de cuidadores em João Pessoa e alerta: “as restrições nos transportes podem impactar a movimentação dos cuidadores e deixar idosos sem o serviço.

Apenas uma minoria deles tem carteirinha de profissional de saúde, mas seu trabalho é fundamental”.

O desenrolar da crise ainda vai nos ensinar muito, mas fica claro que precisaremos da união de todos para atravessar a pandemia.